Apresentando manequins na escala 1/3. Eles vestem perfeitas miniaturas de alta costura, e estão colocados entre cenários dramáticos e surrealistas.
O Theatre de la Mode.
É, sem surpresa, uma fonte de inspiração para colecionadores, fabricantes e estudiosos da área de moda.
A estória do Théâtre de la Mode envolve moda, teatro e o começo da alta costura pra conseguir recapturar a eminência do seu lugar no mundo. Isso é também, em particular, um fenômeno Francês: a aliança de designers de moda e artistas trabalhando juntos e neste caso para criar um toque e um símbolo poético de esperança e renovação.
Paris estava sendo liberada depois de quatro anos de ocupação alemã, mas a Guerra continuava e as condições de vida se tornaram cada vez mais difíceis.
A economia nacional estava em ruínas, sobretudo havia uma devastação humana, exceto pelos mortos feridos, e a deportação. Cinco milhões de homens, mulheres e crianças estavam sem adequados abrigo, comida ou reoupas.
No outono de 1944 o presidente da L’Entraide Française, Raoul Dautry, chamado por seu amigo Robert Ricci na Câmara Sindical de Alta Costura Parisiense. “Ele tinha que ter a idéia de pedir a Câmara Sindical para organizar alguma coisa que mostraria a vitalidade das indústrias da moda e da costura e que, ao mesmo temopo, provaria no que diz respeito ao destino, sorte daqueles que necessitavam e estavam dispostos a fazer grandes esforços para ajudá-los”.
A idéia foi discutida e aprovada em um encontro executivo, da Chambre Syndicale, sob a presidência de Lucien Lelong. robert Ricci, cabeça da Comission of Press and Public Relation of the Chambre Syndicale tocaria o projeto com a ajuda de Paul Caldaguès, delegado geral. Segundo Robert Ricci foi Paul Caldagrès o primeiro que sugeriu uma exibição de bonecas vestidas pelas casas de costura, mas eles decidiram que a ocasião requeria um novo e excitante tipo de boneca. Robert Ricci, portanto, pediu a jovem artista Eliane Bonabel para fazer alguns esboços.
Quando pensaram no projeto, eles não queriam algo que fosse muito “sólido” e que remetesse a brinquedos. Pensavam em algo transparente. Os esboços de Eliane Bonabel dos manequins aramados de 27,5″ foram aprovados pela chambre syndicale e isso ficou a cargo do escultor catalão Rebull pra criar cabeças em gesso e os manequins em miniatura deveriam ter penteados e chapéus reais para completar o traje.
Durante o inverno de 1944-1945 o Théâtre de La Mode gradualmente tomou forma. As roupas eram versões em miniatura da coleção em escala real. Cada uma foi confeccionada com a mesma precisão e perfeição da original: costura manual de casa de botão, para botões forrados manualmente, que poderiam, realmente, serem desabotoados, bolsos e um acabamento interno meticulosamente bem feito como se a roupa fosse vestida do avesso.
Todos os artesãos que trabalhavam nas casas de costura estavam envolvidos. Minúsculos cintos, flores, luvas, ornamentos com plumas para penteados de noite, bordados em miniatura e jóias foram criados para complementar cada traje. Os melhores coiffeurs da época como Antoine e Guillaume criaram penteados para a escala dos manequins.
A exibição foi aberta na noite de 27 de março de 1945 com toda a pompa necessária, com música de Henry Sauguet. O Pavillon Marsan era imenso, com um enorme salão em veludo vermelho carmim. A exibição era um sucesso que foi prolongada por muitas semanas.
O Théâtre de la Mode ainda estava em exibição, em 8 de maio de 1945, quando a guerra terminou. A partir de umpedido feito ao Embaixador da França em Londres, René Massigli, Raoul Dautry solicitava que o Embaixador fizesse o que estivesse a seu alcance para ajudar o Syndicat de la Mode e o Daily Mail a organizarem a exposição em Londres do Theatre de la Mode, que teve um brilhante sucesso em Paris e arrecadou, à epóca, mais de um milhão de francos.
Os britânicos chamaram de “A Fantasia da Moda”. ela abriu em Londres em 12 de setembro de 1945 na Prince’s Gallery. Inaugurada pela Duquesa de Kent e Madame Massigli, em benefício da R.A.F. Benevolent Fund e L’Entraide Française. Foi a primeira exibição estrangeira a visitar Londres desde a deflagração da Segunda Guerra Mundial. Uma visita particular foi providenciada para Sua Majestade A Rainha Elizabeth. em seis semanas algo em torno de 120.000 londrinos fizeram fila para amirar as extraordinarias roupas de Paris.
Restrições quanto a produção de tecido eram ainda muito severas nos tempos de guerra. As mulheres britânicas ainda estavam em uniformes, tambem vestindo roupas surradas, inadequadas e utilitárias, somente. elas tinham sentimentos controversos sobre a extravagância francesa, mas podiam sonhar com um futuro mais glamouroso.
E, depois, a exposição tomou o mundo!














Olhaaa esse conteúdo tbm é daquele livro (Theatre de la Mode: Fashion Dolls: The Survival of Haute Couture)?
P-R-E-C-I-S-O desse livro!
Oi Tayná,
Certamente que sim! Esse livro é bibliografia básica para quem está tão distante de uma visita ao museu de MaryHill Museum of Art, onde a coleção tem uma exposição permanente. Como eu te disse, anteriormente esse livro é belo e conta toda a história dos manequins que encantaram e encantam até hoje, inspirando releituras por todo o mundo.
Um abração!