Hoje falarei sobre uma miniaturista francesa.
Nathalie Boulay
Nathalie Boulay provém de uma família de artistas e é dotada de um grande talento. Tem habilidade para manejar todo tipo de material, e seus personagens são peças únicas. Ela sozinha os modela com massa Fimo, costura os tecidos e realiza as espadas com ferro fundido. Seu pai tem uma fábrica de ferro na França, seu país natal, na qual existem máquinas que facilitam esse trabalho. Seu interesse pelas miniaturas surgiu em 1987, em Nogent, quando foi a uma exposição de brinquedos antigos. O Clube da Miniatura Francesa tinha alguns estandes nessa exposição. No ano seguinte Nathalie participou do concurso organizado pela instituição e três anos depois conseguiu um estande com seu nome. Seus bonecos representam pequenos ofícios com o estilo próprio do início do século XX na França. Também tem predileção pelos personagens das comédias literárias, o que pode ser comprovado pelos vários polichinelos ou pelos cavaleiros medievais.
Nathalie Boulay costuma acompanhar seus personagens com diversos objetos de ferro, como espadas ou correntes que ela mesmo forja. Ela se inspira na idade média e às vezes mistura o ferro com o latão, soldando-os com prata.
Segundo suas próprias palavras, “o trabalho de preparação de um objeto em ferro fundido leva quase o dobro do tempo dedicado à realização de um personagem, já que a montagem deve ser adaptada à diminuição do tamanho do objeto”. E esse é o grande desafio. Nathalie tem que fazer miniaturas, ou seja, pequenos instrumentos para completar suas figuras em escala 1/12. Uma dura tarefa se levarmos em conta que esss peças são do tamanho de um fejão. Uma vez forjadas, recebem uma pátina ou uma pintura e depois um verniz para ficarem com aspecto de antigas.
Nathalie é uma grande observadora, e suas idéias vêm de tudo que ela vê: postais antigos, fotos de livros e revistas, contos e fábulas, gravuras e até representações teatrais. Quando tem um modelo na cabeça e decide realizá-lo, em primeiro lugar, ela reúne toda a documentação necessária, define o movimento que o personagem vai realizar e então o modela por completo. Depois procura os tecidos que mais se adequam ao modelo e, se julgar necessário, os envelhece. O último passo é fixar os cabelos, que costumam ser cobertos com chapéus ou então recebem um penteado especial.
Além de ferro fundido, as especialidade de Nathalie Boulay são os personagens antigos e contemporâneos, desde a Idade Média até nossos dias, os quais ela costuma representat com as vestimentas de antigas profissões ou atividades.
Dois exemplos do trabalho de Nathalie são um cozinheiro vestido de branco e usando um chapéu alto, típico do seu ofício, e um levantador de pesos, destacando-se a perfeita modelagem de sua figura, muito própria de um homem musculoso, e os pesos que Nathalie realizou em ferro. Sua vestimenta é bem própria do mundo circense: camiseta listrada sem mangas, calça elástica justa e um cinturão de couro largo, combinando com a munhequeira. Não tem cabelos, mas usa um bigode com as pontas levantadas, muito característico da época.
Outro exemplo de um ofício, desta vez feminino, na França do início do século XX, é a desta vendedora de verduras e legumes em uma banca do mercado. Sua vestimenta está bem de acordo com a moda usada pelas mulheres mais velhas que se dedicavam a esse tipo de atividade naquela época: saia bem pregueada, blusa quadriculada de manga longa, avental e xale para proteger do frio. A anciã tem seu cabelo preso sob um chapéu e está rodeada pelas suas mercadorias, expostas em diferentes cestos de vime: tomates, cenouras, batatas, abóboras … Trata-se de uma cena na qual, apesar da sua simplicidade, se percebe a habilidade da autora para modelar figuras que parecem em movimento e a sua capacidade de observação para vesti-las adequadamente. O tardio interesse de Nathalie Boulay se converteu em toda uma arte que já é apreciada no mundo inteiro. As expressões de seus personagens são o reflexo de sua personalidade: orgulhosa, intelectual e simples. O bom acabamento de todas as suas peças vai desde as cores e os gestos até a qualidade dos tecidos.














